Nós optamos por adotar cachorros, pois não conseguíamos engravidar e nos orientaram que a adoção poderia ajudar — e deu certo.
Enfim, atualmente tínhamos o Branquinho, que partiu, e seu irmão, o Marrom. O Branquinho era mais medroso, inseguro e sempre esperava o irmão comer primeiro para depois se alimentar. Por isso, tínhamos tigelas separadas para cada um. Quando dávamos petiscos, precisávamos cuidar para oferecer separadamente, para que o Branquinho conseguisse comer, já que o irmão era mais espertinho.
Por outro lado, quando se tratava de aprontar, fugir de casa, escapar, fazer buracos na cerca, cavar ou escalar a tela e o portão… o Branquinho era campeão. Tocava o terror e aprontava bastante. Tivemos que fazer altos investimentos em muros, portões e cercas reforçadas para tentar impedir suas fugas e seus “passeios” pela rua.
Com o tempo, eles fizeram amizade com a faxineira que vinha aqui em casa, e ela acabava abrindo o portão para que pudessem correr na rua, curtir a liberdade e depois voltar felizes.
Eles também nos acompanhavam em pescarias e caminhadas na mata. Subiam e invadiam a casinha na árvore do nosso filho Guilherme.
O Branquinho era campeão em correr atrás de porcos-espinhos, pegá-los e até matá-los — mas quem sempre levava a pior era ele. Muitas vezes precisávamos chamar o veterinário para anestesiá-lo e retirar os espinhos.
Eventualmente, ele também estragava tênis, roupas e até minhas flores. Ainda assim, era um dos nossos animais de estimação mais queridos da família. Quem mais brincava com ele eram os meninos: o Branquinho subia no pula-pula com eles, entrava na barraca, participava de tudo. Eles montavam nele, rolavam juntos, faziam carinho, jogavam bola, corriam e se divertiam muito. Chegavam até a brincar dentro da casinha dos cachorros com eles.
Muitas memórias boas foram criadas e guardadas.
Ainda sentimos e choramos sua falta. A dor permanece no coração. As crianças ainda perguntam por que ele partiu, se virou uma estrelinha no céu, se está bem… Enfim, sentem muito a sua ausência.
O Branquinho veio para nos ensinar e nos preparar para lidar com a perda, com a morte — algo inevitável.
Assim, passamos pela dor de perder um dos nossos pets, algo que nos marcou profundamente e que, de certa forma, nos fortalece e nos prepara para perdas ainda mais difíceis, como a de um ente querido.
O Marrom anda vagando pelo pátio e pela rua, procurando pelo irmão Branquinho. Estamos tentando ajudá-lo a superar essa ausência.
