Ele me escolheu quando tinha 45 dias de vida e veio para casa em uma meia, de tão pequeno e pelado que era. Ele escolheu ficar 17 anos e 12 dias comigo. Eu simplesmente fazia tudo o que ele queria. E agora ele se foi e eu me perdi.
Quando ele quebrou a pata com 6 meses eu estava lá.
Quando ele fugiu pelo portão e correu pela rua para brincar, sem saber do perigo, eu pulei na frente dos carros e tranquei o trânsito, até eu o pegar no colo.
Quando ele ganhou uma companheira com 2 anos de idade eu estava lá.
Quando ele ganhou uma mãe-humana (minha atual esposa) e pulava de felicidades, eu estava lá.
Quando ele ficou uma semana parado na porta de casa esperando a companheira york dele, que morreu de surpresa, eu estava lá, consolando-o e respeitando o seu luto.
Quando chegava os sábados, era do dia das brincadeiras, e eu estava lá, atirando a bolinha pra ele pegar, até se cansar.
Quando chegava as 5 horas, todo dia, ele queria passear na rua, e eu estava lá, mesmo com chuva (ele adorava se molhar).
Quando ele ficou velho e não conseguia mais andar, ele me chamava para ir no espaço dele para fazer xixi e eu estava lá.
Quando ele precisou tomar remédio duas vezes ao dia, com hora marcada, eu estava lá.
Quando ele sentia alguma dor eu dava remédio enrolado num presunto, mas quando isso demorava a dar efeito, eu ficava com ele no colo até se acalmar.
Eu sempre estive onde ele precisava, sem reclamar da dificuldade ou de ter que acordar 5 vezes durante a noite para atende-lo quando estava nos seus últimos meses. E, certamente, continuaria estando lá pelo resto da minha vida. Agora sinto que sua ausência é insubstituível, seu silêncio dói demais e seu amor incondicional me faz falta todo o instante.
Fique em paz, encontre a Pink e corram, pois sábado está chegando e é dia das brincadeiras.
