Espero que esta versão transmita toda a importância que a Lurdes teve na vida de vocês.
Lurdes foi encontrada em frente à nossa casa, em uma madrugada qualquer. Ela não fazia ideia, mas naquela noite encontrou uma família. E nós, sem saber, encontramos um amor que nos acompanharia por tantos anos.
Desde o primeiro instante, escolheu estar perto de nós. Aos poucos, deixou de ser apenas uma gatinha para se tornar parte da nossa história, da nossa rotina e daquilo que chamamos de lar. Era o nosso furacãozinho: curiosa, esperta, atenta a tudo, sempre fiscalizando cada canto da casa e acompanhando cada passo que dávamos, como se sua missão fosse nunca nos deixar sozinhos.
Dormia conosco desde os primeiros dias. Era impossível dar um passo sem encontrá-la logo atrás. Sua presença era constante, silenciosa e acolhedora. Ela transformava os dias mais comuns em dias mais felizes simplesmente por estar ali.
Quando engravidei, parecia compreender que algo muito especial estava acontecendo. Passava horas deitada ao lado da minha barriga e fez questão de ser a testadora oficial de cada item do enxoval da sua mana humana, Diana. Era como se, do jeitinho dela, também estivesse esperando por aquele encontro.
E quando a Diana finalmente chegou, a Lurdes a acolheu como parte da família. Tornou-se sua guardiã, acompanhando de pertinho cada fase, cada descoberta e cada novo sorriso. Gostava dos carinhos da irmãzinha, embora os gritinhos de bebê às vezes a assustassem. Há pouco tempo, a Diana aprendeu a chamá-la de “Úxi”, uma das suas primeiras palavras. Nunca imaginamos que uma lembrança tão simples se tornaria uma das mais preciosas que guardaríamos dela.
Também foi nossa companheira nos dias de home office, sempre presente, principalmente ao lado do André, com quem dividia um laço de amor difícil de explicar. Era completamente apaixonada por ele, mas à noite fazia questão de dormir comigo. Tinha suas pequenas manias que agora fazem uma falta imensa: entrar no guarda-roupa, beber água direto da torneira do banheiro, pedir petiscos e procurar um colo sempre que queria carinho.
A verdade é que a Lurdes nunca precisou fazer grandes coisas para ser inesquecível. Ela foi inesquecível justamente por fazer parte de tudo. Estava presente nos dias comuns, nas mudanças da nossa vida, na chegada da nossa filha, nas noites tranquilas, nas manhãs corridas e em tantos momentos que hoje entendemos serem extraordinários justamente porque ela estava ali.
O vazio que ela deixou é do tamanho do amor que construiu em nós. A saudade será permanente, mas também será permanente a gratidão por termos sido escolhidos por ela naquela madrugada. Dizem que somos nós que resgatamos os animais. Com a Lurdes, sempre tivemos a sensação de que foi ela quem nos encontrou e decidiu que seríamos a família dela.
Obrigada, Lurdes, por cada ronronar, por cada olhar, por cada companhia silenciosa e por todo o amor que nos deu sem nunca pedir nada em troca. Você levou um pedacinho de cada um de nós, mas deixou conosco o maior presente que poderia existir: a lembrança de uma vida inteira de amor.
Você será, para sempre, parte da nossa família. E enquanto houver memória, haverá um cantinho da nossa casa — e dos nossos corações — onde você continuará vivendo.
